Cabelos: Estética e resistência

Os cabelos blackpower ainda simbolizam a luta da população negra contra o preconceito

Foto: Jaime Alves
A luta da população negra pelo rompimento com os padrões de beleza tradicionais é antiga. Um dos símbolos desta resistência histórica são os cabelos blackpower. Mas, engana-se quem pensa que se trata apenas de estética e modismo. Por baixo do volume, existe uma raça inteira que deseja se reaproximar de suas raízes e romper com preconceitos semeados ainda nas senzalas, mas que transcendem gerações. Nas senzalas, as escravas norte-americanas se submetiam a procedimentos que iam de panos quentes a facas aquecidas nas fornalhas. Mais tarde, essa faca foi substituída por uma novidade francesa: o pente quente, que se popularizou, até chegar à atual chapinha.

No final dos 60, nos Estados Unidos, eis que volta o discurso do rompimento com o padrão de beleza europeu. O lema era “Black Power”, e as atitudes eram de empoderamento da população negra norte-americana. Homens e mulheres queriam usufruir de direitos que foram negados aos seus
antepassados. Nesse contexto, a estética se tornou uma parte essencial da resistência. Com seus cabelos armados, a população afrodescendente reaviva suas raízes e encara o preconceito racial. Uma luta que vai e volta, e que se faz necessária, até os dias de hoje.

Texto: Raphaely Bueno, Jaime Alves, Monique Gentil

Texto publicado originalmente no Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo Grafite | Edição n°145/2016

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